O que ganham?

Posted 30 Novembro, 2007 by annaeotto
Categories: Jiló

A Anna já deve ter ido dormir. Ela sabe: hoje é dia de jogar fut e sair para tomar umazinha. Não fui para o fut. Tomei um martini seco, bem seco, e voltei para casa. Não quero acordá-la.

Sou gerente de uma empresa. Coisa pequena para os parâmetros paulistanos. Alguns pares de subordinados. Faço o meu melhor. Sempre fiz. E sei que faço um bom trabalho.

Na minha posição, posso ser útil a todos os funcionários. E sou. Sem falsa modéstia, quanta gente deveria me agradecer! Em vez disso, sempre há quem tente me derrubar. Burrice. Se me derrubam, caem junto. Por que em vez de levar todo mundo para o chão as pessoas não tentam crescer junto? Seria mais inteligente.

Terapia para quê?

Posted 29 Novembro, 2007 by annaeotto
Categories: Sal grosso

Não é implicância gratuita. A gente sempre discute isso. Acho esse negócio de terapia (toda mulher tem mania disso) completamente inútil.

Por que em vez de discutir os problemas com uma terapeuta que nem conhece a situação de perto, que mal sabe quem você é, não discute com quem está diretamente envolvido? Enfim, comigo!

Sei lá, acho perda de tempo e de dinheiro. Conversa lá. Acha que está tudo resolvido. Depois o problema volta, porque não resolveu com a pessoa certa. Sem contar que ela tem mania de dar essas idéias loucas de terapeuta.

Eu? Claro que não!

Posted 28 Novembro, 2007 by annaeotto
Categories: Limão

Eu não sei qual o problema do Otto com a minha terapeuta. Não, não pensem bobagens, eles nunca se viram. Essa mania dele em chamá-la de maluca me incomoda profundamente. Na verdade, acho que homem nenhum gosta quando a mulher que ele conheceu começa a se transformar numa mulher que ele teimava em não conhecer. Depois da terapia eu fiquei mais confiante, não sei. Passei a não me preocupar muito com o que dizem, com o que esperam de mim, quero saber do que me importa. Não, não, nada de egoísmo, é só um tanto de preocupação comigo mesma. A vida toda eu me preocupei com os outros e agora chegou a minha vez, certo?

A idéia do blog nada tem a ver com a terapia. Talvez seja o meu jeito de falar várias verdades para o Otto e ele achar tudo bacana, afinal, é só um texto. Ele quem pensa! O lado ruim é ouvir as verdades, mas daí o azar é meu. Todinho meu.

Ah, e eu não sei de onde ele tirou isso: eu tenho memória ruim? Pára! Não é bem assim, eu tenho é memória parcial, lembro das coisas boas e as tristezas simplesmente somem aqui dentro. Minha terapeuta diz que isso não é bom, qualquer hora tudo isso pode vir à tona. Eu não quero nem saber.

O Segredo

Posted 28 Novembro, 2007 by annaeotto
Categories: Cravo e canela

Lembro-me do primeiro teste que a gente fez. Eu recebi por e-mail e mandei para a Anna. Tínhamos acabado de nos conhecer. Perfeito: para não ter de descobrir aquele monte de coisas sozinho, mandei o teste. Veio muito a calhar. Era um teste enorme, umas 50 perguntas. Ainda era desses em que você pergunta do que o outro gosta.

Passei meses acertando o presente de aniversário de namoro e o programa da sexta-feira à noite.

O segredo? Hoje é mais fácil. Três anos de convívio (é isso mesmo, pequena?). Minha memória é boa (não para datas). A dela é ruim (não para datas). Muita coisa ela já tinha me contado e não se lembrava. Muita coisa eu chutei. Sou um bom batedor de pênalti.

O que só ele sabe?

Posted 28 Novembro, 2007 by annaeotto
Categories: Cravo e canela

Uma das brincadeiras que a gente tem desde o comecinho do namoro é passar o tempo respondendo aqueles questionários imensos sobre gostos, preferências, acontecimentos e afins. Não, não, a gente não responde o próprio, mas do outro. Depois tem a réplica, cada um responde o seu de acordo com as respostas que foram dadas. Nisso eu percebi que o Otto me conhece infinitamente melhor, apesar de eu sempre saber como ele está, sem que ele precise falar nada.

Qual a minha cor preferida? Ele sabe. O que eu queria ser quando crescesse? Ele sabe. Se eu tivesse de ir para um único lugar agora, para onde eu iria? Ele sabe. Se eu tivesse de mudar de profissão, o que eu faria? Ele sabe. O que eu gosto de comer? Ele sabe.

E quem eu levaria comigo para dar a volta ao mundo em 180 dias, igual fez Júlio Verne? Isso ele não sabe, mas acho que desconfia.

Por que não?

Posted 26 Novembro, 2007 by annaeotto
Categories: Hortelã

A pequena me veio com essa história de que vai ser legal, que eu vou gostar. Sei não. Isso está com cara de ser coisa daquela terapeuta maluca. De qualquer modo, a Anna não costuma errar. Se ela disse que vai ser bom, que vai ajudar no nosso relacionamento e blablablá, vamos tentar e ver no que dá.

Eu achava que computador era só para receber piada no e-mail, agora ela me pôs para visitar um monte de blog e ver como isso funciona. Acho que está com medo de eu dar vexame.

Diz ela que é um diário virtual e que vou achar muitos blogs que falem de assuntos do meu interesse. Lá vou eu procurar. Ai, ai, mulheres! O que a gente não faz por elas!?

E foi assim…

Posted 26 Novembro, 2007 by annaeotto
Categories: Hortelã

Um blog? É, um blog. Eu sugeri ao Otto criarmos um blog nosso depois que uma imensa crise se instalou entre nós depois do noivado. Para que, Anna? Para a gente ficar junto para sempre e toda vida, eu respondi.

O “para que” era sobre o casamento. O Otto sempre foi descomplicado, para ele não é preciso muitas firulas para seguir na vida. Nós nos gostamos, sabemos disso, precisa mais o quê? Não precisa. Ele acha que não precisa. Acho que ele nem dá nome para o que temos um com o outro, estamos juntos e pronto. Eu já gosto dos nomes das coisas: amizade, namoro, noivado e casamento são quatro coisas bem diferentes. Ele acha que não, dá para ser tudo uma coisa só. Ã? Não sei de onde ele tira isso.

Confesso, eu não tenho a menor paciência para namorar. Aquela história da gente se encontrar e depois cada um voltar para a sua casa me cansa um pouco. Eu quero dormir abraçada, acordar junto, almoçar na mesma mesa, assistir televisão no mesmo sofá. A gente já faz isso, ele me disse. Mas não é todo dia. A graça está em ser todo dia.

Foi então que insisti para a gente se casar. Pronto, ele achou que eu tive um surto mulherzinha, só podia ser coisa das minhas amigas casadoiras, ou a minha mãe devia ter falado na minha orelha, ou o meu pai achava um absurdo a filha ainda não ter casado. Nada, ninguém falou nada! Quem quer sou eu. Poxa, eu nunca te pedi nada, eu amo você, custa, custa, custa casar, não, não estou falando de custar dinheiro, estou falando de esforço, mas a gente convive tão bem juntos, poxa, você não é feliz comigo, é isso, pode falar, se for falta de amor pode falar também, eu aceito, paciência, ai, vida, eu não precisava passar por isso, não, eu não estou brava e quem está chorando aqui, me diz, eu, eu não sou de chorar, tá bom, eu choro mesmo, mas o que que tem? Depois desta ladainha toda, até eu casaria comigo!

Enfim, ficamos noivos. As alianças são lindas, mas talvez fossem de cristal, algo se quebrou. O peso da palavra casamento paira sobre nós. Só vamos deixar o às vezes virar para sempre, eu disse. Aí está a questão: será que o Otto também quer que seja para sempre? Se alguém quiser perguntar a ele e depois me contar ganhará, de presente, um bolo de chocolate feito por mim. E com calda!