Um blog? É, um blog. Eu sugeri ao Otto criarmos um blog nosso depois que uma imensa crise se instalou entre nós depois do noivado. Para que, Anna? Para a gente ficar junto para sempre e toda vida, eu respondi.
O “para que” era sobre o casamento. O Otto sempre foi descomplicado, para ele não é preciso muitas firulas para seguir na vida. Nós nos gostamos, sabemos disso, precisa mais o quê? Não precisa. Ele acha que não precisa. Acho que ele nem dá nome para o que temos um com o outro, estamos juntos e pronto. Eu já gosto dos nomes das coisas: amizade, namoro, noivado e casamento são quatro coisas bem diferentes. Ele acha que não, dá para ser tudo uma coisa só. Ã? Não sei de onde ele tira isso.
Confesso, eu não tenho a menor paciência para namorar. Aquela história da gente se encontrar e depois cada um voltar para a sua casa me cansa um pouco. Eu quero dormir abraçada, acordar junto, almoçar na mesma mesa, assistir televisão no mesmo sofá. A gente já faz isso, ele me disse. Mas não é todo dia. A graça está em ser todo dia.
Foi então que insisti para a gente se casar. Pronto, ele achou que eu tive um surto mulherzinha, só podia ser coisa das minhas amigas casadoiras, ou a minha mãe devia ter falado na minha orelha, ou o meu pai achava um absurdo a filha ainda não ter casado. Nada, ninguém falou nada! Quem quer sou eu. Poxa, eu nunca te pedi nada, eu amo você, custa, custa, custa casar, não, não estou falando de custar dinheiro, estou falando de esforço, mas a gente convive tão bem juntos, poxa, você não é feliz comigo, é isso, pode falar, se for falta de amor pode falar também, eu aceito, paciência, ai, vida, eu não precisava passar por isso, não, eu não estou brava e quem está chorando aqui, me diz, eu, eu não sou de chorar, tá bom, eu choro mesmo, mas o que que tem? Depois desta ladainha toda, até eu casaria comigo!
Enfim, ficamos noivos. As alianças são lindas, mas talvez fossem de cristal, algo se quebrou. O peso da palavra casamento paira sobre nós. Só vamos deixar o às vezes virar para sempre, eu disse. Aí está a questão: será que o Otto também quer que seja para sempre? Se alguém quiser perguntar a ele e depois me contar ganhará, de presente, um bolo de chocolate feito por mim. E com calda!