Os dias ao lado dele
O que nos faz pensar em passar o resto dos nossos dias ao lado de alguém? Sinceramente, eu nunca fui apaixonada por casamentos. Nunca vi nisso um objetivo na minha vida, mas como se fosse acontecer sem que eu esperasse. Eu sequer pensava quem seria o homem que viveria comigo, só sabia que seria por amor. Passar a vida com alguém sem amar, arrastar dias enfadonhos por anos, esticar o braço e encontrar um estranho, isso sempre foi demais para mim. Talvez por isso não pensasse em casamento: não queria sequer imaginar passar por essa situação.
Então conheci o Otto. O começo foi tão difícil, parecia que não ficaríamos juntos nunca. Às vezes acho que fiz tudo errado, o conquistei de maneira torta. Quando olho para trás, vejo o tanto de bobagens que eu fiz, o quanto eu atropelei as coisas. Deveria ter sido mais mulherzinha: ter deixado o fardo da conquista só nas mãos dele, assim saberia se realmente ele me queria.
Eu moro sozinha e, com isso, ele passou a ficar dias e dias em casa comigo. Foi então que descobri que o amor não mora na distância, mas na presença. Ao vê-lo em silêncio, comigo, era quando meu amor mais crescia. Quando eu o via sendo quem é ao meu lado. Quando fazíamos as coisas mais corriqueiras como cozinhar juntos, ler no sofá da sala, passear de mãos dadas no parque, conversar por hora seguidas antes de dormir, ir ao cinema na última sessão de terça-feira. Quantas vezes eu olhei para ele e pensei: “É essa a vida que quero para mim”. E é disso o que sinto mais falta.
Passei a minha vida toda sozinha, mas foi ao lado dele que descobri que não quero mais. Quero viver os dias ao lado dele, sempre, até ficarmos dois velhinhos legais e divertidos. Tenho certeza de que posso passar a vida toda ao lado do Otto e sentir a mesma coisa: “É essa vida que quero para mim”. Nós dois felizes. Juntos.