Garganta
Há quem diga que dor na garganta é coisa não dita. Eu gosto de ler sobre as palavras ditas pelo nosso corpo quando a cabeça desanda e o coração descompassa. Então descobri a tríade: raiva acumulada, coisas não faladas, garganta paralisada. Como se nosso corpo dissesse o que não tivemos coragem, sem me ouvirem, também não vou falar.
Estou assim, minha garganta parou. Comentei com o Otto, mas acho que ele nem percebeu, está lá no quarto dormindo tranqüilamente. Eu aqui, sem dormir, com meu corpo gritando o que não fui capaz de dizer. Nestas horas dou razão a ele, deveria falar. Não falo e dá nisso.
Dia desses nós brigamos, fui ríspida, não nos víamos há dias, mas fui incapaz de dizer que era saudade. Falei (quase) tudo o que incomodava, menos sobre o que mais apertava. Hoje fiquei muito brava, falei um pouquinho, mas depois deixei para lá. Fiquei quieta, na minha, agora estou sem falar nem que quisesse. Meu corpo é mais sábio do que eu.
Talvez começar a abrir a minha concha seja questão de saúde, de inteligência e, principalmente, de amor. Preciso começar a cuidar de mim.
19 Dezembro, 2007 at 7:36 pm
oi. eu vi um comentário seu lá nos blog das meninas. e vi seu anna, e pensei: uau! outra anna! e aí vi ler as coisas e achei tão bonito você ter um otto. e pensei nessa consoante se repetindo bem ali no meio da palavra. o elo.
aí o texto falou o que eu queria dizer, assim, com essas palavras todas. porque estou com amigdalite pela primeira vez em dois mil e sete: acúmulo de vozes não reverberadas.
se eu fosse um ser normal, iria achar tudo-tão-coincidência nesse mundo, mas.
ah, os não-acasos!!
te colei lá no meu jardim. =]
6 Fevereiro, 2008 at 7:23 pm
eu gostei demais daqui. demais demais.