Eu? Claro que não!

Eu não sei qual o problema do Otto com a minha terapeuta. Não, não pensem bobagens, eles nunca se viram. Essa mania dele em chamá-la de maluca me incomoda profundamente. Na verdade, acho que homem nenhum gosta quando a mulher que ele conheceu começa a se transformar numa mulher que ele teimava em não conhecer. Depois da terapia eu fiquei mais confiante, não sei. Passei a não me preocupar muito com o que dizem, com o que esperam de mim, quero saber do que me importa. Não, não, nada de egoísmo, é só um tanto de preocupação comigo mesma. A vida toda eu me preocupei com os outros e agora chegou a minha vez, certo?

A idéia do blog nada tem a ver com a terapia. Talvez seja o meu jeito de falar várias verdades para o Otto e ele achar tudo bacana, afinal, é só um texto. Ele quem pensa! O lado ruim é ouvir as verdades, mas daí o azar é meu. Todinho meu.

Ah, e eu não sei de onde ele tirou isso: eu tenho memória ruim? Pára! Não é bem assim, eu tenho é memória parcial, lembro das coisas boas e as tristezas simplesmente somem aqui dentro. Minha terapeuta diz que isso não é bom, qualquer hora tudo isso pode vir à tona. Eu não quero nem saber.

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