Tão perto

Posted 28 Novembro, 2008 by annaeotto
Categories: Mel

Só sei que ainda sinto saudade. Muita. E às vezes o sinto tão perto, parece que vou estender a mão e ele vai me abraçar.

Tudo bem

Posted 23 Outubro, 2008 by annaeotto
Categories: Jiló

Estou há tantos dias sem o Otto. Não sei mais nada dele. Nem ele sabe de mim. No começo, eu me sentia como se estivesse num pesadelo, sem conseguir acordar. Com o passar dos dias, parecia insônia, nada de descanso. Parece que não existe mais o dormir e o acordar. Estou me sentindo mal sempre.

Numa noite dessas qualquer, sonhei que ele cuidava de mim. Os meus pés doíam, estavam cansados, e ele me colocou sentada em cima da mesa. Tirava as meias com calma para ver o que estava acontecendo, mas o rosto dele era tão sereno. Sorria, como se me dissesse: “Vai ficar tudo bem”. Depois ele dizia “Eu te amo”, me dava um beijo e ia pegar alguma coisa no armário. Eu não entendia o que estava acontecendo: tão calmo, tão sereno, tão certo do que queria, cuidando de mim com tanto amor.

Mas a realidade bate à minha porta: o Otto não vai voltar. Se ele quisesse, já teria voltado. Se ele quisesse, teria me procurado. Se ele quisesse, diria: “Vai ficar tudo bem, Anna. Vai ficar tudo bem”.

Eu queria acordar de repente, esticar o braço, senti-lo ao meu lado e ouvi-lo dizer, de verdade: “Eu te amo e vai ficar tudo bem”. Só queria isso, que tudo ficasse bem.

Os dias ao lado dele

Posted 10 Outubro, 2008 by annaeotto
Categories: Mel

O que nos faz pensar em passar o resto dos nossos dias ao lado de alguém? Sinceramente, eu nunca fui apaixonada por casamentos. Nunca vi nisso um objetivo na minha vida, mas como se fosse acontecer sem que eu esperasse. Eu sequer pensava quem seria o homem que viveria comigo, só sabia que seria por amor. Passar a vida com alguém sem amar, arrastar dias enfadonhos por anos, esticar o braço e encontrar um estranho, isso sempre foi demais para mim. Talvez por isso não pensasse em casamento: não queria sequer imaginar passar por essa situação.

Então conheci o Otto. O começo foi tão difícil, parecia que não ficaríamos juntos nunca. Às vezes acho que fiz tudo errado, o conquistei de maneira torta. Quando olho para trás, vejo o tanto de bobagens que eu fiz, o quanto eu atropelei as coisas. Deveria ter sido mais mulherzinha: ter deixado o fardo da conquista só nas mãos dele, assim saberia se realmente ele me queria.

Eu moro sozinha e, com isso, ele passou a ficar dias e dias em casa comigo. Foi então que descobri que o amor não mora na distância, mas na presença. Ao vê-lo em silêncio, comigo, era quando meu amor mais crescia. Quando eu o via sendo quem é ao meu lado. Quando fazíamos as coisas mais corriqueiras como cozinhar juntos, ler no sofá da sala, passear de mãos dadas no parque, conversar por hora seguidas antes de dormir, ir ao cinema na última sessão de terça-feira. Quantas vezes eu olhei para ele e pensei: “É essa a vida que quero para mim”. E é disso o que sinto mais falta.

Passei a minha vida toda sozinha, mas foi ao lado dele que descobri que não quero mais. Quero viver os dias ao lado dele, sempre, até ficarmos dois velhinhos legais e divertidos. Tenho certeza de que posso passar a vida toda ao lado do Otto e sentir a mesma coisa: “É essa vida que quero para mim”. Nós dois felizes. Juntos.

A saudade em qualquer lugar

Posted 8 Outubro, 2008 by annaeotto
Categories: Limão

Eu voltei a fazer academia. Ficava muito tempo em casa, fazendo os meus trabalhos manuais para passar o tempo, exercendo o meu ofício de ilustradora de livros. Só casa, casa, casa, casa. Parecia que, a qualquer momento, eu ouviria o barulho da porta se abrindo e veria o Otto. Eu precisava sair daqui.

Além de voltar, agora eu faço várias aulas na seqüência. Assim eu canso o meu corpo e não penso em nada. Ginástica, jump, alongamento. Musculação não, porque daí já é demais.

Mas hoje, no vestiário, entre uma aula e outra, vi uma das meninas usando aliança de noivado. Tentei não pensar, mas não teve jeito, logo pensei onde coloquei a minha, numa caixinha feita por mim, no fundo do armário. Não adiantou escondê-la, outra aliança apareceu para me dizer que eu ESTAVA noiva. E agora não estou mais.

Enquanto eu estava meio desnorteada, ouvi alguém chamar: “Anne!”. A dona da aliança virou o rosto. Era o que me faltava, a noiva em questão é quase minha xará. Anne, quase Anna.

Na saída da academia, o noivo dela a esperava. Vi os dois se beijando e pela primeira vez eu soube, realmente, o que significa inveja branca. Quero que a Anne seja feliz, pensei. Mas eu também queria ser.

Voltei para casa sozinha, a pé, pensando se será sempre assim: um voltar sempre sozinha para casa. E ainda comecei a chorar no caminho, de tanta saudade do Otto. Acho que vou pesquisar alguma receita muito difícil, assim eu passo horas na cozinha e termino a noite sem pensar em nada. Nem nele.

Os Amantes

Posted 7 Outubro, 2008 by annaeotto
Categories: Cravo e canela, Mel

Passeando pela internet, encontrei essa imagem: Os Amantes. Achei tão linda que não resisti e trouxe para cá. Se o Otto visse, acho que ele gostaria tanto quanto eu.

Fonte: ©Stephanie Pui-Mun Law

Quase um ano depois…

Posted 6 Outubro, 2008 by annaeotto
Categories: Jiló

Mês que vem faz um ano. Convenci o Otto a começarmos esse blog para falar de nós dois, do nosso noivado, da nossa convivência, do nosso amor, das nossas dificuldades. Era o meu jeito de mostrar a ele que podemos construir a nossa vida juntos. Talvez a gente já construísse, só eu não percebia.

Ficamos noivos por insistência minha. Ele acabou topando, se acostumou com a idéia, mas uma coisa eu aprendi: jamais insista nada para um homem. Nada. Eles acabam aceitando para que a gente não fique chateada, depois a coisa descamba. Degringola. Enfim, termina.

O noivado não existe mais, tampouco nós dois. Eu tanto insisti para casarmos logo que ele cansou. Achava que era coisa da minha cabeça, casar para quê? Não está tudo bem assim? Não, não está. Não, não estava. A falta que eu sentia dele era imensa, passou para absurda e chegou ao insuportável. Não agüentava mais ficar longe dele. Por causa do trabalho, não nos encontrávamos mais. Eu trabalho em casa, ele não. E ficava dias sem me ver. E eu sofrendo. E ele achando que era exagero. Por isso eu queria casar logo, assim, nos encontraríamos de qualquer maneira. Ele não quis. Ele não quer. E eu queria tanto.

Nem sei mais o que será daqui para frente. Não sei dele, tampouco ele sabe de mim. Ainda dói. Talvez eu continue por aqui sozinha, quem sabe assim eu consiga ficar bem.

Garganta

Posted 10 Dezembro, 2007 by annaeotto
Categories: Limão

Há quem diga que dor na garganta é coisa não dita. Eu gosto de ler sobre as palavras ditas pelo nosso corpo quando a cabeça desanda e o coração descompassa. Então descobri a tríade: raiva acumulada, coisas não faladas, garganta paralisada. Como se nosso corpo dissesse o que não tivemos coragem, sem me ouvirem, também não vou falar.

Estou assim, minha garganta parou. Comentei com o Otto, mas acho que ele nem percebeu, está lá no quarto dormindo tranqüilamente. Eu aqui, sem dormir, com meu corpo gritando o que não fui capaz de dizer. Nestas horas dou razão a ele, deveria falar. Não falo e dá nisso.

Dia desses nós brigamos, fui ríspida, não nos víamos há dias, mas fui incapaz de dizer que era saudade. Falei (quase) tudo o que incomodava, menos sobre o que mais apertava. Hoje fiquei muito brava, falei um pouquinho, mas depois deixei para lá. Fiquei quieta, na minha, agora estou sem falar nem que quisesse. Meu corpo é mais sábio do que eu.

Talvez começar a abrir a minha concha seja questão de saúde, de inteligência e, principalmente, de amor. Preciso começar a cuidar de mim.

Paz novamente

Posted 4 Dezembro, 2007 by annaeotto
Categories: Mel

Nada como um dia após outro. Melhor: nada como um dia após outro com a pessoa certa. No fim de semana, conversei com a Anna. Melhor: ela conversou comigo. Ouvi muito. Ela tem as palavras certas para acalmar e fazer pensar. Estou mais calmo. Pensei.

Além disso, programas tranqüilos. Corrida, eu; patins, ela, no Ibirapuera. Na seqüência, delicioso almoço do restaurante do MAM. Compras na Cultura. Cineminha. Piaf. Excelente. Quem verteu rios de lágrimas? Não conto.

Segunda-feira, tudo normal no trabalho. Parece que nada aconteceu. Até a próxima celeuma. Importante que a vontade de jogar tudo para o alto passou. Mais uma vez, obrigado, Anna.

A concha

Posted 3 Dezembro, 2007 by annaeotto
Categories: Jiló

Desde criança, eu sempre fui uma conchinha. Quando tinha um problema ficava lá, quietinha, até achar a solução ou esperar passar. Isso não é lá muito bom, uma hora a conchinha não agüenta e… pou! Explode.

O Otto implica com a minha terapia há um bom tempo. Diz que é bobagem, eu pago para uma desconhecida me ouvir? Por que não conversar com ele? Não, não é fácil. Abrir o meu coração para ele é abrir o que há de mais profundo em mim. É preciso confiança, uma boa dose de desprendimento e um tanto assim de segurança.

Eu confio nele, eu me sinto segura, sou desprendida, mas o que me impede? Por que não me abro?

Nós estamos juntos há um bocado de tempo e já espetamos o dedo nos espinhos várias e várias vezes. É fácil achar tudo lindo e encantador quando não sabem que atravessamos o Triângulo das Bermudas a nado e sem bote salva-vidas por perto.

Ele é um amor comigo, mas eu sempre acho que vai passar. Sempre parece que estamos chegando no Triângulo novamente, sem salva-vidas, e ele me deixará lá boiando sozinha. Não será assim, mas tenho muito medo. Para quem já quase se afogou várias vezes, poça d’água em dia de chuva é maremoto num oceano.

Para abrir a concha, terá de ser com amor e delicadeza. Além de paciência. Depois de tudo, sei o quanto eu preciso deste cuidado.

Sabe por quê?

Posted 1 Dezembro, 2007 by annaeotto
Categories: Jiló

Ontem o Otto não veio me ver. Tudo bem, eu sei que era dia do futebol com os amigos, mas quando dá vontade ele sempre passa em casa e acaba ficando por aqui. Às vezes eu acordo no meio da noite e lá está ele, dormindo feito um anjo. Mas ontem não.

Quando acordei e não o encontrei, sabia que alguma coisa havia acontecido. Ele me ligou de manhã, lá estava eu com o coraçãozinho na mão. Ele estava chateado. Muito chateado. Ou seria indignado? Não sei. Ao longo da conversa ele foi me contando o acontecido… E volta e meia repetia: “Por que em vez de levar todo mundo para o chão as pessoas não tentam crescer junto?” Porque nem todo mundo tem a grandeza que você tem, meu querido. Infelizmente, não tem.